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Histórico

ERNESTINA

Datas político-administrativas importantes:

1834, 5 de agosto. Criação do 4º Quarteirão, Pessegueiro, 4º Distrito, Passo Fundo,

Município de Cruz Alta.

  1. Divisão distrital do Município de Passo Fundo, o futuro território de Ernestina integra o

4º Distrito, Jacuizinho (posteriormente Carazinho).

  1. Registro da Colônia Ernestina na Diretoria de Terras e Colonização.

1924, 14 de julho. Ato Municipal nº 398 cria Distrito Colônia Ernestina com o nº 11.

1926, 14 de julho. Ato Municipal nº 431, Distrito Ernestina nº 11.

1931, 24 de fevereiro. Ato Municipal nº 489, Distrito Ernestina nº 8.

1938, 31 de março. Decreto Estadual nº 7.199 confirma o Distrito Ernestina e eleva sua sede à

categoria de Vila.

1986, 6 de agosto. Primeira reunião pública da Comissão Pró-Emancipação e eleição da

Diretoria.

1986, 27 de novembro. Credenciamento da Comissão Pró-Emancipação.

1987, 13 de dezembro. Consulta Plebiscitária.

20 de dezembro. Apuração e proclamação dos resultados.

1988, 11 de abril. Lei Estadual nº 8.554 cria o Município de Ernestina.

15 de novembro. Primeira eleição municipal: Prefeito, Vice-Prefeito e Vereadores.

1989, 1º de janeiro. Instalação do Município de Ernestina com posse dos Vereadores,

instalação da Câmara de Municipal e a posse do Prefeito Municipal.

 

Ernestina – seu nome e origem

A atual cidade e município de Ernestina não pode ser pensada fora da colonização particular, autorizada pelo governo, a partir de 1897. Centenas de “Colônias” surgiram a partir desta autorização, especialmente na região norte do RS. Na região da atual Ernestina foram permitidas as colonizações particulares na região de Cruz Alta e Ibirubá (pelo General Osório), de Tapera (Coronel Gervásio), de Selbach (Coronel Selbach). Havia também empresas que realizaram o loteamento de áreas públicas, organizando núcleos urbanos e que hoje são Municípios de destaque na região.

A região de Ernestina coube ao Tenente Coronel Ernesto Carneiro da Fontoura. Nessa época havia muitas posses de terras, usurpadas da União e da Província, sob o pretexto de “terras devolutas”. Na grande região de Passo Fundo, havia centenas de “apossadores”. A situação ficou assim, até que o governo regional, a partir do ano de 1907, resolveu “regularizar” as terras, criando a Comissão de Terras de Passo Fundo, que normalizou a questão agrária, legitimando as terras e regularizando os intrusos.

 

Quem foi o Tenente Coronel Ernesto Carneiro da Fontoura?

A história do município e da cidade de Ernestina, no RS, está incontestavelmente ligada a uma pessoa empreendedora e corajosa chamada de Ernesto Carneiro da Fontoura.

O Sr. Ernesto Carneiro da Fontoura, veio à região de Ernestina, como Tenente Coronel, já na reserva do Exército brasileiro. Nasceu em 1838, em Cruz Alta, filho de Manoel Carneiro Duarte e de Felisberta Manoela de Maria Fontoura. Tem longa ficha de serviços prestados no exército, especialmente em Cruz Alta, como comandante do 6º batalhão de infantaria. Presidiu a Federasul (Associação Comercial em Porto Alegre), nos anos de 1886 e 1887. Casou dia 08.02.1865, com Ermelinda Antônia da Rocha. A Ermelinda, esposa do Ernesto, nasceu em Porto Alegre, no dia 04.06.1847, filha de Antônio da Rocha, natural de Portugal e de Belmira da Rocha, de Porto Alegre.

Da união matrimonial tiveram os seguintes filhos:

Ernestina Carneiro da Fontoura – nascida em 07.01.1866 – em Porto Alegre e falecida na mesma cidade no dia 16.01.1938, aos 62 anos de idade.

Outros filhos: Ermelinda, Lindolfo, Alice, Ernesto Carneiro da Fontoura Filho, Almerinda e Alcinda. A Ernestina – 1ª filha: Casou com Sebastião Pereira de Barros Filho (nascido em 1853), em Porto Alegre, dia 05.06.1885. Após o casamento tomou o nome de Ernestina Fontoura de Barros. Tiveram os seguintes filhos: Armando Barros, Edgardo Barros, João Marajó de Barros, Arnaldo Barros e Adalberto Barros.

 

Ernesto na região de Ernestina

O Ernesto, morador de Porto Alegre, já na reserva do Exército, partiu para essa região do Planalto Médio, em 1899, usando a locomoção férrea, indo até Santa Maria, seguindo por Cruz Alta, em direção a Passo Fundo. Esta ligação de Cruz Alta a Passo Fundo foi inaugurada em 1898.

Deslocou-se até a área a ser colonizada (sem obrigação de fazer uma sede), onde iniciou o mapeamento do espaço compreendido entre o rio Jacuí e o Arroio Grande, atual divisa com o Município de Victor Graeff. Havia mais de 5 mil hectares a serem medidos. Com a “equipe de cordas” e guiados pelas “botas do agrimensor”, lotearam a extensa região de pinheiros, confeccionando a “Planta da Colônia Dona Ernestina”. Deixou escrito numa folha: “Colônia Dona Ernestina”. Ano:1900. Proprietário colonizador (sic): Ernesto Carneiro. Área: 32.916.137m². E escreveu os nomes de alguns compradores de lotes, com área de 48 hectares.

 

Nome de Ernestina: Desde o dia em que a área de Ernestina foi loteada, já foi batizada com este nome. O Ernesto trouxe, de Porto Alegre, este nome de “Colônia Dona Ernestina”. Era o amor à sua filha mais velha, que morava a seu lado, em Porto Alegre, na Rua Quintino Bocaiúva. Ela nasceu e morreu em Porto Alegre e não veio conhecer esta colonização com seu nome.

A única Ernestina existente na época, na vida do Ernesto, era a filha dele, privilegiada com a derivação do nome de seu pai Ernesto. Também não havia ainda moradores na região loteada, muito menos alguém com o nome de Dona Ernestina.  Ernestina era uma mãe exemplar que educou seus cinco filhos com muita firmeza. Ofereceu à sociedade dois Generais do exército brasileiro, outro com alta graduação militar, um médico e um engenheiro civil. Foi, sem dúvida, um feito memorável para uma família que, certamente era disciplinada, cultivadora de valores familiares e cívicos indiscutíveis.

A Ernestina, filha mais velha do Coronel, sempre foi chamada de “Dona Ernestina”, em Porto Alegre e em seu meio familiar. Seria impensável e fora da tradição de seus ancestrais, dar outro nome à área colonizada, a não ser um nome de alguém que fizesse parte de sua genealogia.

O Tenente Coronel Ernesto Carneiro da Fontoura adoeceu em 1907 e ficou em sua casa, em Porto Alegre, para o tratamento. Contudo, faleceu em 1910, com 72 anos, antes de registrar toda área, junto à Comissão de Terras do Estado. A viúva Ermelinda, deu procuração ao advogado José Lucas Dias, para negociar a terra restante. Vendeu uma pequena área de terras ao Sr. Cândido Malaquias Cordeiro para “fazer uma povoação”, na atual região das torres, entre Ernestina e Tio Hugo. Mas não vingou.

Somente quando o João Fernandes Kruel, casado com a Aurora Loureiro, 12ª filha do Antônio José da Silva Loureiro, dono da área da Posse do Barão, começou a lotear ao redor da Praça (que doou à Prefeitura de Passo Fundo) e doou uma área de 3.200 m² à Mitra Diocesana, onde se situam hoje a Igreja São José, começou a se formar um núcleo populacional. Ele registrava as áreas por ele vendidas como situadas em “Vista Alegre – Colônia Dona Ernestina”. O novo nome não foi aceito pela população em geral.

A divisa da área do Estado, loteada pelo Ernesto, com a área da Posse do Barão, situava-se na estrada geral que vinha de Passo Fundo a Soledade. Na atual sede de Ernestina, a divisa passava  pela atual Rua Júlio dos Santos, que, na época de Passo Fundo, se chamava de Rua Fontoura. E a sede de Ernestina, continuou a ser chamada de “Colônia Dona Ernestina”, até 1936, quando se passou a chamar de Colônia Ernestina, até 1944. Daí em diante, o nome ficou somente “Ernestina”.

 

Emancipação Municipal

O ano de 1986 foi marcado por uma série de atividades e procedimentos destinados à emancipação municipal do Distrito de Ernestina. Após intensa campanha de esclarecimento e divulgação ocorreu no dia 6 de agosto de 1986 importante reunião no Salão Paroquial da Comunidade Evangélica na Vila Ernestina. Compareceram lideranças e população em geral da área a ser emancipada. Ao longo dos debates e explanações foram ressaltadas e explicadas as determinações contidas na Lei Complementar nº 1, de 9 de novembro de 1967. Lei federal estabelecendo os requisitos mínimos para emancipação municipal e a forma da consulta plebiscitária.

Participaram da reunião 119 pessoas, todas moradoras e com domicílio eleitoral na área a ser emancipada. Foi eleita por aclamação a Comissão Pró-Emancipação do Distrito de Ernestina e parte do Distrito do Pulador:

Diretoria:

Jaime Gonçalves da Silva – Presidente

Odir Gentil Ferst – Vice-Presidente

Marico Alfredo Ferst – 1º Secretário

Paulinho Eugênio Goedel – 2º Secretário

João Cláudio Goedel – 1º Tesoureiro

Gelson Ireno Arend – 2º Tesoureiro

 

Conselho Fiscal:

Clareci Neckel

Lauro Lindolfo Penz

Benno Gnich

 

A 27 de novembro de 1986 a Comissão encaminhou o seu credenciamento conforme Processo nº 8.755/86-8. A 20 de agosto de 1987 solicitou a autorização para realização da Consulta Plebiscitária, Processo nº 5.075/87-4. Consulta devidamente autorizada na forma do Processo nº 5.788/87-0, de 9 de setembro de 1987, do Projeto de Lei nº 171/87 e da Lei nº 8.356 de 22 de setembro de 1987.

Plebiscito

No dia 13 de dezembro de 1987 ocorreu a Consulta Plebiscitária. No dia 20 de dezembro de 1987 foi procedido o escrutínio. No Cartório Eleitoral da 33ª Zona Eleitoral, no Fórum da Comarca de Passo Fundo, às 17 horas, reuniu-se a Junta Apuradora presidida pelo Juiz Eleitoral Dr. Marcel Esquivel Hoppe. Realizada a apuração, foram proclamados os seguintes resultados:

Total de eleitores inscritos:                   1.815

Total de votos SIM:                                 1.192

Total de votos NÃO:                                     43

Total de votos em BRANCO:                         6

Total de votos NULOS:                                   3

Abstiveram-se:                                            571

Total de eleitores que votaram:           1.244

 

Com base nesses números foi declarada a manifestação favorável à emancipação municipal de Ernestina. Durante o período 1986-1988, ocorreram no Rio Grande do Sul mais de uma centena de movimentos emancipacionistas, dos quais oitenta e oito lograram êxito, entre eles Ernestina.

 

Lei de criação do município

Decretada pela Assembleia Legislativa a Lei n° 8.554 de criação do Município de Ernestina constituído pelo Distrito de Ernestina, pertencente ao Município de Passo Fundo, foi sancionada pelo Governador do Estado Pedro Simon, a 11 de abril de 1988.

 

Instalação do Município de Ernestina

A 1º de janeiro de 1989 deu-se a instalação oficial do Município de Ernestina mediante a Posse dos Vereadores eleitos, a instalação da Câmara Municipal e a Posse do Prefeito eleito. A sessão solene contou com a presença de centenas de cidadãos e cidadãs ernestinenses. Presidiu o ato, inicialmente, o Vereador João Mozart Dias, por ser o vereador mais idoso, o qual encaminhou a Posse dos Vereadores eleitos e a eleição da Mesa Diretora. Tendo sido eleito Presidente da Câmara o Vereador João Pedro Werle, assumiu a direção dos trabalhos, dando na sequência Posse ao Prefeito, Jaime Gonçalves da Silva, e ao Vice-Prefeito, Aderi Baumgratz Soares. Presente à sessão o Sub-Prefeito Noberto Gayer num gesto simbólico entregou ao Prefeito empossado as chaves da Sub-Prefeitura, daquele momento em diante Prefeitura Municipal de Ernestina. A partir deste ato solene de instalação dos poderes Legislativo e Executivo começou a existir o Município de Ernestina.

População e Território

O Município de Ernestina está situado na microrregião Noroeste Rio-Grandense, macrorregião Passo Fundo, Planalto Médio do Rio Grande do Sul. Coordenadas da sede municipal: Latitude -28,499; Longitude -52,573, Altitude 493 metros acima do nível do mar.

O Município apresenta relevo ondulado, atingindo em alguns pontos a altitude de 720 metros, tem clima subtropical, com invernos frios e geadas fortes, temperatura média anual 18°C. e pluviosidade anual 1.850 mm.

O Município é atravessado, no rumo geral Sul-Norte, pela RS-153 (antes RST-153). Possui acesso fácil à BR-386, Rodovia Governador Leonel de Moura Brizola. Pela RS-233 liga-se a Victor Graeff, Tapera e Ibirubá. A cidade de Ernestina dista 240 km de Porto Alegre e 30 km da cidade de Passo Fundo.

Em 1980 o Distrito de Ernestina contava com 2.658 habitantes. Quando da emancipação o Município teve sua população estimada em 5.000 habitantes, distribuídos em um território de 297 km². Em 1991 o Censo do IBGE constatou no Município de Ernestina uma população de 3.846 habitantes, sendo 747 na área urbana e 3.099 na área rural. Dados IBGE-1996 3.811 habitantes, densidade demográfica 12,95 hab./km². TER-1996 2.976 eleitores. Em 1º de janeiro de 2001, quando da emancipação do município de Tio Hugo (criado pela Lei nº 10.764 de 16.04.1996), o território de Ernestina foi reduzido em cerca de 40 km².  O território atual do Município de Ernestina é de 239,147 km², com uma população estimada em 3.215 habitantes (IBGE, 2017). O último censo, IBGE 2010, constatara uma população de 3.088 habitantes, correspondendo à densidade populacional de 12,91 hab/km². PIB – Produto Interno Bruto, ano de 2015, R$ 42.225,50. CEMPRE – Cadastro Central de Empresas, apresenta os seguintes dados relativos ao Município de Ernestina, ano 2016: Salário médio mensal dos trabalhadores 2,1 salários mínimos; Pessoal ocupado 865 pessoas; População ocupada 26,9%.

O Município de Ernestina integra a Associação dos Municípios do Alto Jacuí – AMAJA.

O Município de Ernestina integra o Conselho Regional de Desenvolvimento da Zona da Produção – Corede Produção.

O Dia do Município é comemorado no dia 11 de abril.

O gentílico de Ernestina é ernestinense*.

No estado de São Paulo existe o município de Santa Ernestina cujo gentílico também é ernestinense.

A Economia Ernestinense pós-emancipação

Após a emancipação a Economia ernestinense manteve a tradicional base agrícola das últimas décadas do século 20. Agricultura, principal fator econômico do Município. Todavia as atividades rurais, ao longo do tempo, tiveram significativas mudanças, algumas praticamente desapareceram. Na década de 1950 a cultura da mandioca foi substituída pela triticultura, as razões foram várias, em especial o esgotamento do solo, os incentivos do governo federal ao plantio do Trigo, Triticum sativum, e à motomecanização da lavoura. Nas   últimas décadas ocorreram outras radicais mudanças nas culturas de maior importância. Destaque especial para uma nova cultura, a Soja, Glycine max (Ervilha grande). A soja começou a ser cultivada no Rio Grande do Sul, ainda na década de 1950, como cultura complementar ao Trigo, logo expandiu-se e tornou-se rapidamente em produto soberano da lavoura gaúcha. Não foi diferente em Ernestina. Com uma agricultura voltada à produção de grãos para comercialização segue-se à soja o trigo, o milho, a cevada e a canola. Pequenos agricultores dedicam-se a outras culturas tais como arroz, feijão, aveia, mandioca e verduras, em geral apenas para subsistência e atendimento do mercado interno.A pecuária, sem a importância da agricultura, desenvolve a criação de suínos, bovinos, ovinos e aves. Cabe notar que em torno de 70% da pecuária ernestinense é desenvolvida em pastagens artificiais. A produção leiteira bastante significativa. A avicultura produz aves de corte e ovos. A piscicultura conta com açudes de criação de peixes. As atividades rurais ocupam cerca de 80% do território municipal. A atividade industrial é de pequeno porte, dedicada ao atendimento das necessidades locais. Destacam-se fábricas de esquadrias de madeira e de ferro, de tubos e outros artefatos de concreto, de carregamento de extintores, de carvão e de erva-mate, sapataria, olarias e moinhos de cereais. O comércio e os serviços são amplos e variados, porém, voltados quase que exclusivamente ao público local.

Fonte:

AGUIRRE, Alexandre. & AVILA, Ney Eduardo Possap d´. Ernestina: Cidade e Município. Passo Fundo: Berthier, 2018.

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